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SENSEI JOÃO ROCHA CONCEDE ENTREVISTA AO ESPORTE AGIL

Federação de Judô de Mato Grosso do Sul
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Bate-bola: João Rocha Divulgação João Rocha foi o primeiro medalhista de Mato Grosso do Sul nos Jogos Escolares Brasileiros, em 1976 O professor João Rocha tem toda sua vida dedicada ao esporte. Como atleta, foi o primeiro atleta a conquistar uma medalha para Mato Grosso do Sul nos Jogos Escolares Brasileiros, com uma medalha de bronze no judô; como técnico, ele tem diversos títulos nacionais e internacionais, fazendo parte da comissão técnica do judô brasileiro nos Jogos Olímpicos de 1992 e assumindo posteriormente a direção técnica da Confederação Brasileira de Judô. Atualmente, ele é o presidente da Fundação Municipal do Esporte (Funesp), sendo o responsável pela organização e promoção do esporte na cidade de Campo Grande. Em entrevista ao Esporte Ágil, o professor João Rocha falou sobre suas experiências como atleta e técnico, e sobre os desafios atuais, como gestor público, para criar uma nova “cultura do esporte” para a população campo-grandense. Esporte Ágil - Quando e como você começou no esporte? João Rocha - Comecei aos 14 anos, praticando judô. Fazia handebol na escola também, mas chegou um momento em que tive que optar pelo judô, pois começaram a coincidir datas de convocações para seleções e campeonatos. Fui feliz na minha opção, abracei a carreira de atleta, conseguindo resultados significativos, conquistando títulos e projetando estado, principalmente nos Jogos Escolares Brasileiros. Em determinado momento, me contundi e optei em tornar-me profissional de educação física, iniciando minha carreira como treinador de judô. Conquistei títulos junto com atletas, nacionais e internacionais. No início dos anos 90, fui convidado pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ) para ser técnico das equipes de base e fazer parte da comissão técnica da seleção para os Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992. Dediquei-me a isso com intensidade, pois sempre me trouxe muita satisfação e realização pessoal. Eu sempre digo: a gente tem que ser feliz, e isso me trazia felicidade. Na seqüência, assumi a direção técnica da Federação de Judô de Mato Grosso do Sul (FJMS) e, posteriormente, a presidência. Na seqüência, fui convidado a assumir no governo do dr. Wilson, a Fundesporte, onde atuei por 4 anos. Ainda na Confederação, movimentamos para substituir o comando da CBJ, que estava há muito tempo com o professor Mamede. O professor Paulo Wanderley assumiu e convidou-me para assumir a direção técnica da CBJ, no processo de formação das seleções brasileiras de judô. Formamos um grupo que hoje é responsável por todo este planejamento, reestruturando a forma de competições no país, regionalizando as competições nacionais, proporcionando um avanço para o judô, pois as regiões com acesso difícil receberam um tratamento mais paritário. Também representamos o judô no Comitê Olímpico Brasileiro, em relação à parte técnica. Com a eleição do Prefeito Nelsinho Trad, assumi a Fundação Municipal do Esporte, órgão que foi criado com o desmembramento da Fundação de Cultura e Esporte. A missão foi estruturar e promover o desenvolvimento do esporte em Campo Grande. Aceitei o desafio, com um planejamento de trabalho, desenvolvido pelo prefeito e por mim, com o conhecimento que adquiri em minha experiência, para implantar ações na Capital, a curto, médio e longo prazo, que possam transformar a pratica do esporte na cidade, cumprindo a missão delegada a mim pelo prefeito. Trabalhando e efetuando os projetos, atendendo a comunidade, levando não apenas modalidades esportivas, mas a prática de atividades físicas às periferias da cidade e as comunidades mais desfavorecidas, buscando a transformação do comportamento e a melhoria da qualidade de vida da população através da pratica esportiva. Esporte Ágil - Alguma competição ficou em sua recordação, da sua carreira como atleta? João Rocha - A final dos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs), em 1976. Foi uma competição extremamente disputada. Havia 21 atletas na competição e classificavam seis para as finais. Os seis lutavam entre si. Em uma noite, fizemos 11 lutas e eu fiquei com o bronze. Eu venci o campeão, fui vencido pelo vice, e assim por diante. Houve um equilíbrio muito grande e marcou bastante minha carreira, pois foi a primeira medalha do nosso estado, ainda então chamado Mato Grosso, em todas as modalidades esportivas, na história dos JEBs, que hoje é chamado Olimpíadas Escolares. O que mais marcou foi o nível técnico, que foi empolgante, até a ultima rodada não sabíamos quem seria o campeão. Esporte Ágil – E como treinador ou dirigente, qual a competição que ficou em sua memória? João Rocha - Foram muitas emoções, mas uma luta que me lembro bem foi a final de um Pan-americano em Porto Rico. Eu era técnico de um atleta de Mato Grosso do Sul, o Valdeir, que lutaria a final contra um porto-riquenho que tinha diversos resultados internacionais. Valdeir era um atleta de valor, mas o porto-riquenho era franco-favorito. O brasileiro estava perdendo, mas com um ataque interessante, conseguiu um ippon e calou o estádio que estava em polvorosa. Esporte Ágil – Quais os principais desafios como gestor público? João Rocha - A responsabilidade de nortear as decisões e oferecer possibilidades para que o cidadão possa escolher ou mesmo induzi-los a pratica esportiva, pois ela é essencial nos dias atuais, onde as pessoas estão cada vez mais ociosas. Temos a responsabilidade de oportunizar a prática esportiva e também melhores condições para que atletas, técnicos e dirigentes possam receber maior apoio, do que aquele que recebi quando estava nestas posições. Dificuldades sempre existirão, mas é importante que tenhamos sensibilidade e vontade política, e acima de tudo, que tenha vivido estas situações de dificuldades. Hoje estou do lado de cá da mesa, mas posso voltar a estar deste outro lado, buscando apoio. Nunca sabemos do dia de amanhã. Gostaríamos de ajudar mais e a todos, mas a Prefeitura algumas vezes tem outras prioridades. Não que o esporte não seja importante, mas algumas vezes, a própria comunidade tem outras prioridades. Nem sempre podemos contemplar tudo e todos os segmentos da forma que eles deveriam ser contemplados. A própria comunidade demanda suas prioridades, mas nem por isso, devemos fraquejar ou desistir, temos que lutar e buscar avançar e suprir estas necessidades. Não perder o foco do esporte como saúde e instrumento social, apesar de ter vindo do esporte de alto-rendimento, eu não abandono a questão do esporte como instrumento social e de saúde. As medalhas são importantes, mas precisamos cuidar também da saúde da população. Esporte Ágil – Como o esporte influenciou na formação do cidadão que você é hoje? João Rocha - Eu sou produto de dois fatores: o primeiro é o berço e a formação que eu recebi dos meus pais. A segunda é o esporte que proporciona a experiência, o crescimento, oferecendo desafios, pois a vida é feita de desafios e o esporte é uma grande escola na formação de uma pessoa. Forma o caráter, e a sociedade precisa muito de valores que estão sendo esquecidos, podendo ela pagar um valor muito alto por causa disso. O esporte é um grande instrumento a ser utilizando na formação de cidadãos; devemos acreditar e investir nisso, pois ele forma o caráter, estabelece valores, faz com que regras sejam cumpridas. A vida em sociedade exige valores e regras, que são fundamentais na formação de um cidadão, além da família, do lastro, do berço. Para mim, isso foi importante e acredito que seja importante para toda a sociedade.