
Entretanto esse foi apenas um dos problemas enfrentados na sua primeira participação em uma olimpíada. A desorganização na delegação brasileira era tamanha que Shiozawa não tinha transporte nem orientação. Até os boletins enviados pela organização dos jogos que informavam onde e quando lutar, foram lidos por ele. “Eu andava de metrô por toda a cidade de Tokyo.
Ía e voltava da universidade sem ajuda de ninguém. Ainda bem que falava um pouco de japonês”, lembra Shiozawa. “Nunca tive um treinamento específico ou um técnico em minha carreira. Sempre fiz tudo por conta própria e ainda assim consegui ganhar alguns troféus”, se vangloria. Ao longo de sua carreira Shiozawa ganhou mais de 200 troféus e um número maior de medalhas. Disputou nas categorias médio (até 80kg) e absoluto. Em sua época não havia o número de competições que há atualmente. “Em 12 anos de seleção brasileira participei de tantas competições quanto a seleção atual participa em pouco mais de 2 anos”, ressaltou.
Porém, o número de títulos em sua carreira são impressionantes mesmo comparado aos dos atletas de ponta atuais: 4 vezes campeão pan-americano, campeão dos Jogos Pan-americanos, 2 vezes campeão sul-americano, 15 vezes campeão brasileiro (peso médio e absoluto), 5º colocado em olimpíada e 5º em mundial. Depois de 2 anos dando aulas na Universidade Nacional de Brasília (1975 à 1977), Shiozawa deslocou-se para Goiânia, onde permanece até hoje em sua Academia Nikkei. Professor de Educação Física, mesmo afastado dos grandes centros formadores, Shiozawa acompanha a evolução e o desenvolvimento do nosso judô. Alcançou todos os seus objetivos: casado, pai de 3 filhos, o Prof. Shiozawa quer agora passar sua experiência para seus alunos. “Não quero apenas formar grandes atletas, como eu fui. Antes de tudo quero formar bons cidadãos e ajudar a melhorar a sociedade brasileira”, finalizou.
Texto extraído de entrevista concedida à Revista IPPON nº 12 (Setembro/97)


